Ganhei este livro de uma pessoa que confiou suas histórias à
mim, uma completa desconhecida. Foram cerca de quatro caronas depois do
trabalho e muito bate-papo durante as duas horas de trânsito em São Paulo. Cada
conversa me fazia refletir sobre muitas coisas, entre elas a de que cruzamos
com pessoas durante nossas vidas por algum propósito alheio ao nosso
conhecimento. Acho que Deus fala conosco das formas mais inesperadas. E foi com
essa frase, escrita num post-it rosa dentro da folha de rosto do livro que a Cristina
Akemi se despediu de mim: “Flávia, tenho certeza absoluta que ninguém
passa pelas nossas vidas por acaso.”
E assim, mais um best-seller veio parar em minhas mãos... Recomendo este
livro para dar aquela “sacudida” e entender de fato o que é resiliência.
A CIDADE DO SOL é um romance que nos conta um pouco sobre a
vida no Afeganistão nos anos em que os talibãs, as injustiças sociais e a
violência contra a mulher tiveram destaque no mundo. A escrita de Hosseini nos
faz viajar de uma forma apreensiva por toda a trama. Por muitas vezes tive
esperanças de mudança em meio ao sofrimento das personagens, mas a história
parecia seguir a linha do “não há nada
tão ruim que não possa piorar”.
Confesso que incomodou-me a leitura dos nomes próprios de alguns personagens e termos da cultura islâmica... mas acredito que seja por minha total ignorância aos costumes ou minha inexperiência com livros deste tipo. Desisti de “O Diário de Anne Frank” com nomes e termos judeus por esse motivo.
O livro conta a história de duas mulheres que tem suas vidas cruzadas durante os infortúnios da guerra. A primeira é Mariam, a filha bastarda do granfino Jalil com Nana, a empregada de sua mansão na cidade de Herat. Aos 15 anos após o suicídio de sua mãe a menina é obrigada a se casar e morar em Cabul com o sapateiro Rachid. Inicia-se então uma vida infeliz, cheia de maus-tratos e humilhações. A segunda é Laila, vizinha de Mariam, nascida pouco tempo após sua chegada na cidade. Uma garota privilegiada que teve oportunidade de estudar durante a infância e viveu momentos de respeito e admiração incentivados por seu pai.
As duas passam a conviver logo após uma tragédia acontecer
com a família de Laila marcada com a invasão dos talibãs em Cabul. Laila toma uma decisão que mudará o destino
das duas e que, com o tempo, a salvação de uma será a destruição da outra.
Envolvente, dramático e perturbador. Uma realidade tão absurda que é difícil acreditar que seja possível ter esperanças. As personagens, embora tenham trajetórias e personalidade completamente diferentes mostram como as mulheres que vivem numa sociedade marcada por machismo e fanatismo religioso são resilientes. Elas resistem à pressão de situações adversas sem surtos psicológicos. Sobrevivem com muito pouco de uma forma que eu jamais conseguiria suportar.





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