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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Entre dois Mundos - Minha Vida de Prisioneira no Irã (Roxana Saberi)

*** Estréia de Paulo Serino como colaborador do blog. Resenha imperdível... segue:

Talvez a liberdade seja a maior utopia das sociedades, trata-se de um sonho possível, porém improvável. Seja como for, a busca por esse ideal iniciará sempre todas as manhãs quando abrimos os olhos.

Esse objetivo se transforma impossível quando paramos para refletir que de fato ninguém nesse mundo é livre. Todas as pessoas que vivem em uma sociedade são obrigadas a obedecer regras de senso comum, que nos são dadas desde que somos pequenos por nossas mães. Quem é que nunca ouviu quando criança as seguintes ordens: “Vá já para o banho!”, “Vá escovar seus dentes!”, “Hora de dormir!” etc. Já quando adultos muitas ordens nos são dadas em formas de boletos bancários: IPTU, IPVA, Imposto de renda etc. Nem mesmo os americanos que se gabam tanto por se autointitularem “uma nação livre” estão isentos de cumprirem todas as suas obrigações e, portanto, regras ou normas. E quando essas regras extrapolam nossa realidade ocidental e ultrapassam o limite do absurdo diante de nossos costumes?

O livro Entre Dois Mundos - Minha Vida de Prisioneira no Irã, escrito por Roxana Saberi, narra a prisão da autora, americano-iraniana, enquanto vivia no Irã. Desde sua prisão, mediante falsas acusações, até as torturas psicológicas sofridas em cárcere, a escritora apresenta a visão de uma sociedade que parou no tempo, um país que sofre uma tremenda tensão política e, por muitas vezes, uma completa falta de humanidade. Em alguns momentos a história provoca bastante emoção, principalmente quando a autora, ainda sob custódia do regime autoritário, tem a oportunidade de rever seus pais.

De modo geral, esse livro é muito interessante para quem quer compreender melhor um pouco o país transformado pelo famoso aiatolá Khomeini, além de acompanhar a emocionante luta de Roxana contra o sistema político do Irã. Uma dica importante para complementar a leitura é o filme iraniano intitulado Ninguém sabe dos gatos persas, que nos auxilia a ter uma visão mais ampla e moderna do regime de Mahmoud Ahmadinejad. Diante de tanta opressão e sofrimento destacados na obra, a comparação com nossa sociedade e modo de vida acaba sendo inevitável e a saudade de quando nossa falta de liberdade se resumia apenas às ordens de nossas mães se transforma em uma certeza a cada dia que passa.


Editora: Larousse do Brasil
Autor: ROXANA SABERI
Número de páginas: 320
Recomendação: Ótimo


sábado, 13 de novembro de 2010

Feliz Ano Velho (Marcelo Rubens Paiva)

A resenha de hoje é de um livro que já li há algum tempo. Trata-se do “Feliz Ano Velho” de Marcelo Rubens Paiva e conta a história do acidente que o deixou tetraplégico no auge dos seus 20 anos de idade. O livro foi lançado em 1982, quando eu tinha 3 anos de idade, e foi best-seller na época. Quem me indicou esta leitura foi meu pai no finalzinho dos anos 90. Excelente indicação! Tanto que o reli só para escrever este post.
Apesar de tratar-se de uma tragédia, o autor relata os fatos com extremo bom humor. A narrativa começa com o dia do acidente. Ele, bêbado, curtindo um dia com seus amigos num lago resolve dar um salto estilo “tio Patinhas” em meio metro de água. Quem diria que um ato mal pensado mudaria em segundos uma vida inteira? Daí para frente ele discorre seus primeiros dias no hospital e sua adaptação à nova vida. Conta ainda lembranças de sua infância e juventude com relatos de aventuras, amores, amizade e até o dia em que os militares entraram em sua casa e levaram seu pai.
Através da leitura temos a percepção das dificuldades de um deficiente físico e sua inserção na sociedade.
Aos pudicos, gostaria de avisar que o livro tem bastante palavrão e até detalhes de uma experiência sexual. É de uma linguagem simples, jovem e pura. Eu, particularmente adoro pessoas com senso de humor elevado. Tudo fica mais leve. É preciso muita inteligência para fazer analogias e tiradas sagazes.

“FELIZ ANO VELHO”
Editora: Objetiva
Autor: MARCELO RUBENS PAIVA
Número de páginas: 272

Sobre o Autor

Além de escritor, Marcelo é dramaturgo e jornalista.

Nasceu em São Paulo no ano de 1959, onde estudou pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Fez mestrado de Teoria Literária da Unicamp e o King Fellow Program da Universidade de Stanford, Califórnia. Depois de “Feliz Ano Velho”, publicou 6 romances:

“Blecaute” (1986),
“Uabrari” (1990),
“Bala na Agulha” (1992),
“Não És Tu, Brasil” (1996),
“Malu de Bicicleta” (2004)
“A Segunda Vez que Te Conheci” (2008).

Há crônicas e contos reunidos nos livros “As Fêmeas” (1994) e “O Homem Que Conhecia as Mulheres” (2006). Como dramaturgo, escreveu: “525 Linhas” (1989); “O Predador Entra na Sala” (1997); “Da Boca pra Fora – E Aí, Comeu?” (1999); “Mais-Que-Imperfeito” (2000); “As Mentiras que os Homens Contam” (2001); “Closet Show” (2001) e “No Retrovisor” (2002).

Atua como colunista do Caderno 2 do jornal “O Estado de S.Paulo” e possui o blog Pequenas Neuroses Contemporâneas. “Feliz Ano Velho” foi transformado em filme estrelado por Marcos Breda e Malu Mader.

 

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