segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Iraque: A Guerra Pelas Mentes (Paula Fontenelle)

O que vale mais: 100 dólares, 100 euros, 100 libras, 100gr de ouro, um colar com 100 brilhantes ou 1 informação? Acertou quem respondeu informação. Quem assistiu Cidadão Kane sabe muito bem o valor da mídia no controle da sociedade contemporânea.

A informação escrita ainda é uma forma muito eficiente de difundir notícias, com a agilidade da tecnologia o mudo inteiro recebe a mesma mensagem em tempo real. As palavras possuem um poder extraordinário, muitas pessoas acreditam facilmente em qualquer informação apenas por estarem registradas em livros, revistas ou jornais, sem ao menos se darem ao trabalho de questionar aquilo que foi lido.

Percebo que a profissão do tradutor é uma arte fundamental para que as pessoas possam compreender o mundo de forma mais clara possível, entretanto, como profissional da área eu também sei que como o idioma está diretamente atrelado à cultura da sociedade que o fala, dificilmente uma informação no idioma A será sempre 100% fiel a seu conteúdo no idioma B, ou seja: sempre haverá uma perda na fidelidade de informações, por menor que seja, em uma tradução. Se o meu messias falava em aramaico, sânscrito, latim, hebraico, árabe ou fársi e nesses anos todos seu livro sagrado foi traduzido de um idioma para o outro centenas de vezes, como eu poderia crer na veracidade dos fatos se eu não falo o idioma original da história? Como saber se um relato ou notícia foi manipulado? Devo acreditar no que eu leio apenas por se tratar de um documento registrado em um livro? Devo acreditar em todos os livros que leio justamente por serem fatos publicados? Devo acreditar sempre nas notícias dos jornais só porque foram jornalistas que as escreveram?

Toda informação possui um objetivo ou interesse oculto por trás. Se eu coloco na manchete principal do meu jornal a notícia: “Beber água faz mal a saúde” e você compra esse periódico, conseguirei facilmente atingir o objetivo de minha informação, que seria vender jornal e você com certeza ficará desapontado ao ler o restante da matéria: “Beber água do rio Tietê faz mal a saúde e pode matar”.

O livro “IRAQUE A GUERRA PELAS MENTES”, escrito por Paula Fontenelle, trata exatamente desse assunto: Manipulação. Mais precisamente sobre o controle da mídia na cobertura da guerra do Iraque promovida pelo governo de George W Bush. A autora aborda de maneira contundente, mediante entrevistas com jornalistas que cobriram o conflito, toda a farsa planejada pelo governo  americano, com o intuito de convencer a opinião pública do mundo de que o Iraque representava uma ameaça à paz mundial.

Entre os fatos descritos em sua obra, a autora comenta a encenação da derrubada da estátua de Saddan Hussein que foi televisionada para o mundo todo e representou o fim do regime iraquiano. Paula explica como essas imagens foram planejadas, além da manipulação dos próprios soldados engajados no conflito, que ao esfregar a bandeira americana no rosto da estátua do ditador (a mesma bandeira que estava no Pentágono em 11 de setembro), acreditavam estar se vingando de quem eles pensavam ser o responsável pelos ataques terroristas contra as torres gêmeas.

Outro relato levantado dentro dessa obra foi o fato dos jornalistas credenciados para a cobertura da guerra conviverem 24h por dia com os soldados norte-americanos e seus aliados. Surge então a questão: Como um jornalista poderia escrever uma matéria que fosse contra as pessoas que estavam protegendo suas vidas no conflito? Seria essa outra forma de manipulação?

Este livro é perfeito para quem prefere explorar as entrelinhas da história, além de nos fazer refletir bastante sobre toda informação que consumimos diariamente. Afinal de contas é bastante vantajoso para os “homens do poder” manipular o mundo a nossa volta, pois uma massa que não pensa (visto que o mundo em que precisam viver já foi pré-construído) se transforma em gado e gado não precisa pensar, podemos leva-lo para onde quisermos que sempre estará tudo bem, além disso, alguns bois a mais ou a menos são apenas estatísticas, não representam nenhuma ameaça. Uma pessoa que questiona seu mundo e consegue enxergar o oculto, tudo aquilo que está escondido por trás dos fatos não pode ser classificada como gado, mas como cidadão. Um único cidadão jamais será uma estatística, será sempre um ganho ou uma perda lamentável.

Uma única pessoa já possui poder suficiente para fazer a diferença na humanidade tanto para o mal quanto para o bem: Hitler fez história para o mal e Gandhi mudou os fatos da Índia para o bem. Paula Fontenelle apresentou o outro lado da mídia que nos vende informação, cabe apenas a nós refletirmos sobre como interagir com esse mundo a nossa volta, podemos virar uma mera estatística ou representar um diferencial na sociedade.

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Quem quiser explorar mais esse assunto aqui vão algumas dicas:

Filme: Cidadão Kane.

Documentário: Muito além do cidadão Kane (esse é um documentário britânico que mostra a influência da Rede Globo no Brasil. Por motivos óbvios esse documentário foi recolhido do mercado, mas dá para fazer download em alguns sites)

Filme: Amor por Contrato.
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Editora: Sapienza
Autor: PAULA FONTENELLE
Número de páginas: 205
Recomendação: Ótimo


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